8 de fevereiro de 2018

Parabéns, Egas Branco!

Venho interromper o abandono a que o meu pobre blogue está correntemente sujeito para me juntar ao coro de vozes amigas que hoje se uniram para desejar os parabéns ao Egas Branco.
E quem é o Egas, perguntam.
Egas Branco, maratonista, pioneiro de provas de montanha/trail e da ultra maratona em Portugal (entre outros desportos), e grande lutador em outras batalhas da vida, na qual completa hoje 80 primaveras. Tudo epítetos meritórios, no entanto, o seu maior destaque irá para as amizades que forjou, e que levaram a que, hoje, tivesse esta merecida e simbólica homenagem.

Pessoalmente, estive com o Egas apenas duas vezes: a primeira, no dia em que, apesar de não ir correr, fez questão de estar presente nesse marco que foi o primeiro treino de 30 km do João Lima, na preparação da sua maratona inaugural; e, a segunda, no dia da própria Maratona do João. Porque é isso que fazem os amigos, apoiam os sonhos dos outros e ficam felizes com a sua concretização, como se fosse o seu próprio sonho também.


Parabéns, Egas Branco! Muita saúde e felicidades na ultra maratona da vida.

30 de dezembro de 2017

Boas Festas!

Não queria deixar terminar o ano sem vir dar notícias e sossegar as inúmeras pessoas que questionaram os motivos da minha ausência (pronto, ok, foram só duas ou três pessoas, mas quero acreditar que representavam a preocupação de todos vocês, seus amigos da onça... Humpf! :p).
Bom, a explicação curta é que pouco ou nada corri nestes últimos meses do ano. A explicação longa, ou seja, o motivo, será explanado posteriormente. Não me quero alongar nesta que pretende ser uma crónica de Boas Festas.

Para ser sincera, senti a falta de vir aqui escrever. Acedi ao blogue e abri o editor de texto diversas vezes mas, após alguns minutos a olhar para a página em branco e algumas tentativas falhadas de alinhavar uma crónica, tornava a encerrá-lo.  E até nem tinha falta de matéria. É verdade que 2017 não foi um grande ano (para não dizer mau) de corrida para mim, sobretudo nestes últimos meses. Mas continuei a passear na minha Sintra e a estar no lado da claque de diversas provas. Assisti ao Triatlo de Cascais, à Meia Maratona das Lampas, ao Trail da Tapada, à Maratona de Lisboa e a outras tantas provas que agora me esquece. Em algumas nem conhecia ninguém que ia correr (apesar de depois acabar por encontrar sempre alguém conhecido), ia apenas pela festa da corrida. Via-me refletida na luta e conquista de cada atleta que passava, e isso dava-me alento. Ir assistir a estas provas dava-me mais alento a mim do que aquele que as minhas palmas ou gritos de incentivo poderiam dar a quem corria.
Depois, confesso, entrei numa fase negra em que bastava passar por alguém a correr na rua para sentir um baque no coração. Também queria estar a correr... Também nessa altura aqui vim, abri o blogue, quis desabafar o meu desânimo, mas nunca cliquei em Publicar.

Mas hoje, talvez por estarmos a chegar ao fim de 2017 e a transição de um ano para o outro nos dar sempre a ilusão de recomeço; talvez por ter vindo da São Silvestre dos Olivais, que desta vez não corri mas foi a prova que, em 2011, deu origem a tudo isto, ao início do meu blogue (já lá vão 6 anos, caramba!), ao início da corrida como parte de mim; talvez por começar a ver a luzinha ao fundo do túnel... Hoje, tive mesmo de vir escrever (e Publicar).

Ainda que seja apenas para vos/nos desejar umas Boas Festas (e que grande que já vai o texto para quem não se queria alongar!)

Como de costume, por aqui:

"SAÚDE E PAZ, QUE O RESTO A GENTE CORRE ATRÁS"


Um excelente 2018!

17 de setembro de 2017

Abastecimentos naturais

Agora que o Verão está a terminar, já consigo olhar para os treinos estivais com outra benevolência. A bem da verdade, se há coisa em que o Verão é mais generoso do que as outras estações do ano para a corrida, é na oferta de abastecimento natural. Por exemplo, quem nunca parou a meio de um treino para descansar apanhar as belas das amoras?


Pois é, cidade ou campo, é rara a zona em que não haja umas silvas onde se pode colher uns quantos destes frutos. Num parque perto de minha casa até existe uma amoreira mas, por acaso, prefiro as amoras silvestres. E, sabendo o preço a que se vendem nos supermercados (upa upa!), até as enfardo com outro gosto. São especialmente saborosas nos treinos longos, quando não se leva comida na mochila.

Outra árvore que me deu bastante jeito entre Junho e Julho foi o abrunheiro. Na zona onde vivo há imensos e lembro-me, quando ainda andava na escola, de sairmos das aulas e fazermos competições para ver quem apanhava mais abrunhos. Eram barrigadas daquilo, às vezes ainda estavam meio verdes e tudo, o que resultava, como podem calcular, em enormes dores de barriga! No entanto, se fosse preciso no dia seguinte estávamos lá batidos a comer abrunhos novamente. Enfim, jovens... :)
Agora já não sou tão jovem mas continuo a gostar de os comer. Este Verão, colhi quase sempre dois ou três nos treinos de final de tarde.

Outro do meu top de fruta-abastecimento-natural é o figo.


Também tenho a sorte de passar por uma ou outra figueira nos locais por onde habitualmente treino. A figueira, para mim, é "a" árvore do Verão.
Já aqui falei uma vez da associação de certos cheiros à memória (não consigo encontrar o link, mas apercebi-me que já são quase 6 anos de arquivo!). Ou seja, de haver certos aromas que nos transportam para determinada fase da nossa vida ou, até mesmo, para uma situação específica. A mim, o cheiro de figueiras faz-me sempre recuar até às férias de Verão no quintal dos meus avós, em criança, onde havia uma figueira onde passávamos as tardes à sombra. Eu e os meus primos subíamos o tronco e comíamos os figos mesmo ali, com as mãos peganhentas do pingo do mel e do leite, abocanhávamos a polpa e marchavam bocados de pele e tudo e, invariavelmente, nunca chegávamos ao final das férias sem ficar com os lábios rebentados por comer alguns que ainda não estavam suficientemente maduros. Ainda hoje só consigo comer figos assim, directamente apanhados da árvore.

Este não é um fruto, e duvido MUITO que seja comestível, mas são cogumelos
com uma cor e consistência que me fizeram lembrar gomas durante um treino
(sim, estava com fome!!!). Tinham uma cor ainda mais radioactiva ao vivo.

E agora, mais para o final de Agosto, já se começaram também a avistar medronhos.


Portanto, durante o Verão tive tudo isto à disposição nos meus habituais campos de treino, de forma livre e sem necessidade de andar à chinchada (ainda se usa a palavra "chinchada" ou estou a ficar velha?) Tradução de "chinchada": assalto a árvores de fruto com dono.

Este Verão tive também, e porque falei em cheiros, a experiência de correr por um local com-ple-ta-men-te queimado...


É o percurso que habitualmente faço quando estou de férias na terrinha (Serra da Estrela). Nessa manhã tinha chuviscado, o que adensou o cheiro a queimado da zona que tinha ardido há pouco mais de duas semanas. Foram 25 km, repito, 25 km disto:


Desolador. Foi um treino e um murro no estômago ao mesmo tempo.

Bom, muito teria a dizer sobre este tema dos incêndios, mas já todos sabemos como foi este ano e este não é o local para o fazer. No entanto, só para me manter no tema da crónica, este Verão vi, pela primeira vez, maçãs assadas numa árvore. Sim, uma macieira queimada, ainda com as maçãs penduradas. Tinham exactamente o mesmo aspecto e consistência das maçãs quando vão ao forno. Era tão caricato que devia ter fotografado, mas não consegui.

E vocês, esses treinos de Verão, que tal foram? Comeram muito (frutos)? Andaram à chinchada? (Eu prometo que não conto a ninguém...;) )